terça-feira, 14 de julho de 2009

E o Porto aqui tão perto...

Depois da emoção do Optimus Alive, com um absolutamente extraordinário, excitante, estonteante, brutal - e outros tantos adjectivos que certamente não caberiam neste post - concerto dos grandes Metallica, estava já a sonhar com o SuperBock Super Rock e com o concerto de Depeche Mode... eis senão quando, na véspera, me dizem que o concerto foi cancelado...segundo as notícias que correram, Dave Gahan ter-se-à lesionado numa perna, o que o impossibilitou de vir a Portugal.

Bom... foi um enorme balde de água fria. Meses a preparar este acontecimento, bilhete do concerto e de comboio comprados com imensa antecedência, hotel reservado para o fim-de-semana...enfim, todos os pormenores tratados e antecipados, e depois... não há concerto!

É que se há uma banda que eu gosto mesmo, são os Depeche Mode. Acompanho-os desde os primeiros tempos, conheço as suas obras de trás para a frente e o último concerto que vi foi simplesmente fenomenal! Por isso, fiquei mesmo muito decepcionada.

De qualquer forma, decidimos ir ao Porto na mesma (eu e 3 amigas, todas fãs de D.M.) e ainda bem que o fizemos. Uma espécie de fim-de-semana "just girls".

O Porto continua lindíssimo. Já tinha saudades da cidade, especialmente de passear na Ribeira, um dos meus lugares preferidos. Chegámos com o tempo cinzento, mas foi-se compondo ao longo do dia e o sol brilhou em grande o resto do fim-de-semana! Excelente!

O mais engraçado de tudo isto, é que, por portas e travessas (e graças a alguns amigos bem relacionados) conseguimos arranjar convites para o festival (o que nos permitirá reaver o dinheiro dos bilhetes). O Estádio do Bessa estava, como já se esperava um pouco despido de público, apesar do ambiente estar bastante animado.

Os The Gift e os Xutos&Pontapés foram recrutados, num carácter de emêrgência, para substituir os cabeças de cartaz, numa tarefa bastante ingrata de agarrar um público que se sentia defraudado á partida.

Mas correu mesmo muito bem. Os The Gift deram um belo espectaculo. Foi a 1ª vez que os vi ao vivo e fiquei agradavelmente surpreendida. Uma excelente performance de Sónia Tavares, que soube cativar o público desde o primeiro minuto, com muita garra e energia e oferecendo aos presentes os grandes êxitos da banda como "Music", "OK do you want something simple", "Fácil de entender", entre outros.

Realmente um concerto excelente, de uma banda que, na minha opinião, se afirma como uma das mais criativas e coerentes da música portuguesa e de uma vocalista brilhante, que se destaca num panorama onde as mulheres têm uma expressão ainda bastante débil. Certamente uma experiência a repetir.

Quanto ao Xutos não há muito a dizer...apesar de não ser grande apreciadora da banda, é impossível não lhes reconhecer o mérito e a qualidade e é impossível não cantar ao som de temas emblemáticos como "Contentores", "Circo de Feras, "Homem do Leme", "Chuva Dissolvente", e tantos, tantos outros, que o público cantou sempre em uníssono com a banda. Performance enérgica e irreprensível de um Zé Pedro que melhora há medida que os anos passam.
Fantástico!

Parabéns Teatro da Garagem!

Foi no passado dia 3 de Julho que a Companhia Teatro da Garagem comemorou o seu 20º aniversário, como não podia deixar de ser, de forma inimitável e junto ao seu público. Eu tive a sorte de estar presente neste acontecimento único.

A festa aconteceu no Teatro S.Luiz, em Lisboa, com a apresentação da "Odisseia Cabisbaixa", composta por duas peças: "António e Maria" e "Bela e o Menino Jesus". Pelo meio, fomos todos convidados a jantar e a celebrar os 20 anos da companhia.

"António e Maria resume o amor impossível. Na primeira parte do espectáculo assistimos a uma sucessão de quadros delirantes que invocam a Carne numa celebração trágica. Na segunda parte a Lua derrama a sua luz sobre a Terra distante, espécie de elegia de tudo o que passa sem ficar. Um cavalo atravessa a cena convidando-nos a continuar a Odisseia Cabisbaixa, após um jantar volante no Jardim de Inverno do São Luiz Teatro Municipal.
Bela e o Menino Jesus constitui a segunda parte da Odisseia Cabisbaixa. A acção decorre agora em Marte e termina talvez na cintura de asteróides, que forma o Anel de Saturno, carrossel de detritos, monstruosidade bela e geradora de outras possibilidade, resultante da explosão de um planeta.
Em Marte e no Anel de Saturno, o espectador pode muito bem viajar para o espaço da utopia ou rever um certo Portugal de Miguel Torga, Manuel da Fonseca e Alexandre O`Neill, um Portugal de uma pobreza, que ultrapassava o material, e de uma arte que falava de um espaço fundador da própria identidade portuguesa, denunciando assim essa pobreza. No caso desta Odisseiazinha, o problema não é tanto o da erradicação da pobreza, mas a sua utilização como metáfora que denuncia um outro, muito mais actual, o de um deficit de realidade. Cada vez menos se percebe o que é real, a presença dilui-se diariamente. O império do virtual é também o reino da ilusão, no qual a própria certeza de existirmos é uma incógnita que necessita de uma dor, ou de um belisco, para se certificar de não pairar na região sonâmbula das sombras.
Em Marte, há muito frio, neve e enormes monólitos de granito, memórias caladas da Terra, que os homens carregam como fardos. Os agricultores cultivam prodigamente batatas, sonhos de uma existência em que ainda eram heróis capazes de dormir à noite, sem o temor de acordar num mundo diferente na manhã seguinte.
Odisseia Cabisbaixa é uma metáfora do entendimento que fazemos de teatro. Trata-se de entender o teatro como acção cívica para a transformação do mundo e, nesse sentido, o teatro reconfigura a Terra (a ficção científica é, de certo modo, imaginar o futuro com os olhos no presente); quanto mais as personagens se afastam da Terra mais dela se aproximam. A companhia é a célula onde se ensaiam novos mundos numa escala laboratorial: singular e efémera, sem outro resultado que a memória que dela fica.
Quanto à possibilidade de mudança, é acreditar no trabalho e na sorte, que é como quem diz no milagre do Menino Jesus".

Duas peças geniais, um puro festim de criatividade teatral, doses industriais de loucura e surrealismo, onde é possivel rir e chorar com a mesma intensidade, amar e odiar ao mesmo tempo, dando a oportunidade ao público de se refastelar na cadeira e apenas apreciar a arte!

Mais uma iniciativa brilhante do Teatro da Garagem, que se assume como uma das mais inéditas e excitantes companhias de teatro deste pais! Eu sou fã!

* Fotos e informação retirada da Internet

quinta-feira, 2 de julho de 2009

A Outra Margem

"A outra margem" é uma história que fala da diferença. É uma história que fala da (in) tolerância e das várias tonalidades da vida, do amor e da felicidade, dede o negro da morte ao verde da esperança.
Um homossexual, que trabalha como travesti num bar, perde o sentido da vida com a morte do homem que ama. Entra numa depressão profunda e tenta o suicídio. É nesse momento que começa esta viagem, quando se reencontra com a irmã, que já não via há muitos anos e conhece o sobrinho, um jovem de 16 anos com Sídrome de Down. A amizade sincera que se cria entre os dois transforma as suas vidas por completo.
Este é o encontro da mudança, a possibilidade de reconciliação com um passado doloroso e a oportunidade única de olhar para o futuro com esperança.
"A outra margem" é um filme português de 2007, com vários prémios internacionais conquistados, nomeadamente o Prémio de Melhor Actor no Festival de Filmes do Mundo de Montreal, atribuido ex-equo a Filipe Duarte e a Tomás Almeida.
É um filme comovente e tocante, que eu há muito queria ver, e que me surpreendeu em todos os aspectos.
A simplicidade com que a história é contada é simplesmente arrebatadora e a forma como aborda temas socialmente sensíveis como a homossexualidade e a deficiência é muito inteligente e extremamente emotiva.
Um filme brilhante, que na minha opinião, consagra Filipe Duarte como um dos melhores e mais versáteis actores de cinema da sua geração, com uma interpretação genial... tão boa que chega a ser arrepiante (a verdade é que depois dos primeiros 10 minutos de filme eu já estava tão tocada por ele que chorei).
Um filme feito de pormenores de beleza incontornável, para mim, uma obra-prima do novo cinema português.
Um filme de Luis Filipe Rocha. A não perder!


sexta-feira, 26 de junho de 2009

O Rei da Pop

Nem tenho palavras para descrever a minha sensação de surpresa e choque com a notícia da morte de Michael Jackson... Fiquei nos primeiros segundos, perplexa, parada em frente ao televisor, a reler as parangonas que diziam "morreu Michael Jackson esta tarde", como se estivesse a ver mal, ou não estivesse mesmo a perceber nada do que estava a acontecer.

É incrivel como há figuras que são tão constantes e consistentes nas nossas vidas, que nós nunca pomos sequer a hipótese de que possam vir a desaparecer um dia, como se assumíssemos que são eternas. O MJ era, sem dúvida, umas dessas personagens míticas.
Estou chocada. E triste. É mesmo muito estranho viver num mundo onde o Michael Jackson já não existe.

Que dizer de MJ? Em 1983, vi o videoclip de "Thriller" pela primeira vez. Tinha 7 anos e foi uma sensação indescritível... tive um medo de morte de todas aquelas figuras horrendas a sair dos túmulos, zombies a vaguear pela noite, e o próprio MJ transfigurado em lobisomem. A verdade, é que nada voltou a ser como dantes no mundo da música depois disso.
Relembro que a MTV tinha iniciado emissões regulares há apenas 2 anos e que muito poucas bandas faziam videoclips (e os que haviam eram mesmo muito básicos). Quando o Thriller começou a passar na T.V. toda a gente ficou de olhos esbugalhados, porque foi uma megaprodução, algo inédito e nunca antes visto.
O mais engraçado de tudo, é que ainda hoje, passados 26 anos, sempre que o video passa nalgum canal, paro sempre para o rever. Continua a ser genial.
A verdade é que nunca nenhum artista arriscou tanto, inovou tanto, brilhou tanto. Nunca nenhum artista vendeu tantos discos (só o álbum Thriller vendeu 50 milhões de cópias), nunca nenhum artista alcançou a dimensão universal que MJ alcançou.


Foi o 1º afro-americano a ter um vídeo a passar na MTV, ganhou 25 Grammys (19 a solo e 6 com os Jackson 5) e inventou o Moonwalk (e tantas outras coreografias extraordinárias), mas foi também motivo de muitas notícias bizarras e excêntricas, de muitas polémicas e escândalos.


Para mim, fica-me apenas a memória de um artista fenomenal, pioneiro e visionário em tudo o que fez, uma referência incontornável para a maioria dos músicos de todo o mundo, e que nos deixa uma herança musical inigualável, um verdadeiro tesouro artstico, que provavelmente nunca nenhum outro artista terá capacidade de imitar. Uma carreira brilhante de três décadas, com momentos geniais, consubstanciados em temas inesquecíveis como "Billie Jean", "Beat it", "Bad", "Remember the time", "Black or White" ou "Earth Song" e tantos, tantos outros, que cresceram e viveram connosco, e que alteraram para sempre e de forma indelével, a nossa forma de ouvir e viver a música.


Ontem, morreu também a actriz Farrah Fawcett, um dos maiores ícones da beleza americana dos anos 70, depois de uma batalha dura e longa com o cancro. Um dia trágico, sem dúvida.


* Foto retirada da Internet

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Memórias de Branca Dias


"Com uma existência entre a História e a Lenda, considerada uma das matriarcas do Pernambuco, Branca Dias é, no século XVI, no Brasil, símbolo do povo miúdo português no Novo Mundo, evidenciando o lado popular do heroísmo quotidiano, exultante e aziago, miscigenador e dizimador, generoso e rapace dos primeiros colonos portugueses no Brasil.

É sábado. Está muito calor. Estamos em Olinda, no Pernambuco brasileiro do séc XVI, em casa de Branca Dias, portuguesa cristã-nova de Viana da Foz do Lima. Denunciada pela própria mãe e pela irmã, é presa pela Inquisição em Lisboa, de onde parte clandestinamente com sete filhos, para o Pernambuco. Com Diogo Fernandes, seu marido, constrói Camaragibe, um dos primeiros engenhos de açúcar do Pernambuco, onde cria os seus onze filhos, e onde permanecerá dez anos depois da morte do marido como a primeira senhora de engenho do Brasil. Vende Camaragibe para se instalar em Olinda, onde se torna mestra de meninas, criando a primeira escola de costura e de cozinha.
Entre as três orações do dia, Branca Dias recorda e revive os principais momentos e pessoas da sua vida.

Branca Dias é uma adaptação dramatúrgica do romance de Miguel Real
Interpretação: Rosário Gonzaga;
Adaptação dramatúrgica e encenação: Filomena Oliveira;
Orgânica sonora e Música original: David Martins;
Desenho de Luz: Paulo Cunha.

Aproveitando a presença do CENDREV com "Memórias de Branca Dias" no palco do Teatro da Comuna em Lisboa, durante o passado fim-de-semana, foi-me possível assitir a um belo momento de Teatro, com um texto lindíssimo e com uma interpretação brilhante e absolutamente comovente de Rosário Gonzaga.

A não perder... algures num palco por esse Portugal fora!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

A Arte do Crime

"Em A Arte do Crime, peça que estreou em 1981, Richard Harris constrói uma intriga policial excepcionalmente tensa e enigmática, em torno de três protagonistas: um Inspector-Chefe da Polícia, uma escritora de séries e peças policiais e o misterioso homem que os atrai a casa dele sem que se perceba com que intenção o faz.

Que relação liga es três figuras? Que têm elas em comum para se juntarem na mesma história? Haverá no passado alguma capaz de explicar a razão porque as vemos agora face a face na mesma sala? São algumas das perguntas que o espectador irá fazer desde que a cortina abre para um espectáculo de grande intensidade psicológica. A incerteza, a dúvida, o clima de suspeição mantém-se intacto até ao desfecho desta história triangular contada com mão de mestre por um dos mais premiados dramaturgos do teatro inglês contemporâneo".

Nesta adaptação da Companhia Teatral do Chiado, com encenação de Juvenal Garcês, a acção decorre num bairro periférico de Lisboa. O Inspector Chefe Vasco Machado, a escritora Diana Galvão e o imprevisível Sr. Rocha defrontam-se num espaço fechado onde nunca é muito claro quem domina e quem é dominado.

Um excelente espectáculo repleto de humor e suspense com interpretações irrepreensíveis de Simão Rubim (absolutamente genial!), Emanuel Arada e Vanessa Agapito.
* Fotos e informação retiradas da Internet

sexta-feira, 8 de maio de 2009

O Inspector-Geral

Chama-se "O Inspector Geral", e está em cena no Teatro "A Barraca", até ao final do mês de Maio. Trata-se de uma peça de Nikolai Gogol, datada de 1836.
"A visita anunciada de um Inspector faz desencadear um processo em que a corrupção, a fraude, o medo e a Intriga são a matéria em que com que se constrói uma das mais corrosivas e hilariantes comédias russas do período pré-revolucionário.
A actualidade do humor de Gogol faz desta peça um clássico da sátira universal"
São duas horas e meia de muito divertimento, gargalhadas e bom humor, com música á mistura (uma pianista faz toda a banda sonora da peça ao vivo), e brilhantes interpretações de Maria do Céu Guerra e João D'Àvila à frente de um elenco surpreendente.
Ficha Artítica e Técnica:
Texto: Nikolai Gogol
Espectáculo: Maria do Céu Guerra
Música e Direcção musical: António Victorino de Almeida
Com: Maria do Céu Guerra, João D'Àvila, Adérito Lopes, Carla Alves, Jorge Gomes, Pedro Borges, Rita Fernandes, Sérgio Moras, Sérgio Moura Afonso, Susana Costa
Participação especial de António Rodrigues e ao Piano Madalena Garcia Reis
Poemas: Miguel Martins
Eis um pequeno excerto da peça: